terça-feira, 1 de julho de 2014

Guardados

(Fotografia: Mari Mahr)




Certas gavetas não perdoam
Se emperram, gemendo.
Ou quando, sob chave, a perdem
ou têm seus dentes quebrados
dentro da fechadura. Abertas
à força, o peso dos segredos
das lembranças de lágrimas
das ilusões desbotadas
justifica o gemido da madeira
e a dor da ferrugem que agarra.



Armando Freitas Filho  

Um comentário:

  1. Lindíssimo poema! As gavetas vergam com tanta saudade guardada...
    beijo
    Graça

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