sexta-feira, 2 de maio de 2014

Helena Almeida II



"Creio que o que me fez sair do suporte, através de volumes, fios e de muitas outras formas,foi sempre uma grande insatisfação em relação aos problemas do espaço. Quer enfrentando-os, quer negando-os, eles têm sido a verdadeira constante de todos os meus trabalhos. Creio estar perto da verdade se disser que pinto a pintura e desenho o desenho. Não se expõem, mas expõem, podendo assim denunciar com mais ênfase o caráter ideológico da arte, aceitando-o para melhor o negar. Agora e através destas fotografias com desenhos a mesma negação é feita de várias maneiras. O que aqui exponho não são as impressões ou as marcas de 'artista', mas sim a representação da renúncia a essa espécie de registros. Mas essa renúncia é reencontrar outro espaço e cair noutra armadilha poética. Pois ao colocar-me como 'artista' no espaço real e ao espectador no espaço virtual, ele troca de lugar com o suporte, tornando-se ele próprio espaço imaginário. Ser uma irrealidade. Ser um apelo à possessão de alegrias íntimas. Ser o repouso desenhado. Viver o interior quente duma linha curva. Reencontrar a paz num desenho habitado."

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