quarta-feira, 7 de maio de 2014


 
 (Imagem: Bernini)



São de bronze
os palácios do teu sangue

de cristal absorto
ensimesmado

São de esperma
os rubis que tens no corpo
a crescerem-te no ventre
ao acaso

São de vento – são de vidro
são de vinho
os líquidos silêncios dos teus olhos

as rútilas esmeraldas que
sozinhas
ferem de verde aquilo que tu escolhes

São cintilantes grutas
que germinam
na obscura teia dos teus lábios

o hálito das mãos
a língua – as veias

São de cúpulas crisálidas
são de areia

São de brandas catedrais
que desnorteiam

(São de cúpulas crisálidas
são de areia)

na minha vulva
o gosto dos teus espasmos
Maria Teresa Horta

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