quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Quando chegar

(Fotografia: Marcelo Lyrio)
 
 
 
 
Quando eu morrer,
Anjos meus,
Fazei-me desaparecer, sumir, evaporar
Desta terra louca
Permiti que eu seja mais um desaparecido
Da lista de mortos de algum campo de batalha
Para que eu não fique exposto
Em algum necrotério branco
Para que não me cortem o ventre
Com propósitos autopsianos
Para que não jaza num caixão frio
Coberto de flores mornas
Para que não sinta mais os afagos
Desta gente tão longe
Para que não ouça reboando eternos
Os ecos de teu soluço
Para que perca-se no éter
O lixo desta memória
Para que apaguem-se bruscos
As marcas do meu sofrer
Para que a morte só seja
Um descanso calmo e doce
Um calmo e doce descanso.
 
 
 
Ana Cristina Cesar


Um comentário:

  1. Muito bom, Daniella, ler Ana Cristina num blog, ela que não foi incluída entre os poetas queridinhos da blogosfera.

    Um abraço

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