segunda-feira, 21 de maio de 2012

(Fotografia: Hilda Hilst por Fernando Lemos)




Há certos rios que é preciso rever.
Por isso volto, Ricardo, àquelas margens
Onde na sombra um verde descansava
E um canteiro de limo sob os nossos pés
Adiante desaguava. Volto seguindo a viagem
De mim mesma e ao mesmo tempo convergindo
Oculta, vária,
Até fechar um círculo e entender
Essa asa de fogo sobre as coisas.
Talvez neste canto eu te direi
Das estreitas passagens, do lodo
Convulsivo dos ancoradouros, dos funerais
Que vi, para chegar à luz da primeira paisagem.
Meus olhos deram volta à ilha.
Sigo pelos caminhos, transfiguro-me
Sei que um igual destino eu já cumpri
E ao mesmo tempo em tudo me descubro
Casta e incorpórea. Sou tantas,
tantos vivem em mim e pródiga descerro-me
Pródiga me faço larva e asa.



Hilda Hilst

6 comentários:

  1. Bellisimo poema lleno de lirismo y melodia!!

    Un abrazo!

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  2. palavras intensas e muito reflexivas!

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  3. São sempre assim, tocantes, os poemas de Hilda.
    Obrigada pela presença na História Incompleta.

    Abraço grande.

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  4. Adorei seu blog!!! COnheça o meu e me siga tb! http://feiffercereja.blogspot.com.br/

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  5. Obrigado pela sua visita!
    Gostei muito do seu blogue...da selectividade dos poemas e das fotos, acho que conseguiu uma um conjunto sereno e harmonioso.
    Saudações
    António

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