terça-feira, 1 de maio de 2012

("Fidelidade" - Fotografia de Marcelo Lyrio)



Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto.

Para poder morrer
Desarmo as armadilhas
Me estendo entre as paredes
Derruídas.

Para poder morrer
Visto as cambraias
E apascento os olhos
Para novas vidas.

Para poder morrer apetecida
Me cubro de promessas
Da memória.

Porque assim é preciso
Para que tu vivas.



Hilda Hilst 


5 comentários:

  1. Um poema que atinge a alma. Gostei muito.
    Beijo
    Graça

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  2. Hola Daniella, un placer pasar por tu espacio.
    que tengas un buen fin de semana.
    un saludo.

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  3. Um belo poema, digno de estar por aqui [com a dama que tão bem escolhe]....
    E diz.


    beijos
    El

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