segunda-feira, 9 de abril de 2012

(Imagem: Marcelo Lyrio)



Se a tua vida se estender
Mais do que a minha
Lembra-te, meu ódio-amor,
Das cores que vivíamos
Quando o tempo do amor nos envolvia.
Do ouro. Do vermelho das carícias.
Das tintas de um ciúme antigo
Derramado
Sobre o meu corpo suspeito de conquistas.
Do castanho de luz do teu olhar
Sobre o dorso das aves. Daquelas árvores:
Estrias de um verde-cinza que tocávamos.
E folhas da cor das tempestades
contornando o espaço
De dor e afastamento.
Tempo turquesa e prata
Meu ódio-amor, senhor da minha vida.
Lembra-te de nós. Em azul. Na luz da caridade.



Hilda Hilst

3 comentários:

  1. "Tempo turquesa e prata"...passando "pelo vermelho das carícias" e nas cores, se relembra a saudade de um amor...Muito bonito!
    Beijo
    Graça

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  2. Estive a ver algumas coisas em seu blog. Desejo deixar um convite, tenho um blog com o nome de Peregrino e Servo. Meu nome é Antonio Batalha sou portugues. Se desejar fazer parte, eu ficaria radiante em tê-la como minha amiga virtual, isto é, nao quero que se sinta coagida a faze-lo mas apenas se deseja. Se achar que nao merece a pena fico-lhe grato na mesma. Decerto irei retribuir seguindo o seu blog também. Um obrigado.

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  3. nossa daniella,que bacana é estar em seu blog e ao mesmo tempo ouvir musica com fone de ouvido rs!
    grande alquimia que me faz chorar...

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