terça-feira, 13 de março de 2012

(Imagem: Stephanie Gardner)



 
Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,
por engano, a perguntar se eu era outra pessoa -
um sol que de repente acrescentava cal aos muros,
um incêndio capaz de devorar o coração do mundo.


Não te menti; levantei-me e fui levar-te à porta certa
como um veleiro arrasta os sonhos para o mar; mas,
antes de te deixar, disse-te ainda que nessa tarde
bem gostaria de chamar-me outra coisa - ou
de ser gato, para poder ter mais do que uma vida.




Maria do Rosário Pedreira

4 comentários:

  1. Não há amor sem a oportunidade dos sujeitos. Já dizia São Machado de Assis.

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  2. As imagens e os textos do seu blog são maravilhosos!
    Gostei muito, em especial deste post.
    Um beijo :)

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