terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Na Umidade Cifrada

(Imagem: Francesca Woodman)





Ouço teu corpo com a avidez saciada e tranquila
de quem se impregna (de quem
emerge,
de quem se estende saturado,
percorrido
de esperma) na umidade
cifrada (suave oráculo espesso; templo)
nos limos, açudes tíbios, deltas,
de sua origem; bebo
(tuas raízes abertas e penetráveis; em tuas costas
lascivas — lodo fervente — landas)
os desígnios musgosos, tuas seivas densas
(rol de lianas ébrias) Aspiro
em tuas margens profundas, expectantes, as brasas,
em tuas selvas untuosas,
as vertentes. Ouço (teu sêmen táctil) as fontes, as larvas;
(abside fértil) Toco
em teus vivos lodaçais, em tuas lamas: os rastros em tua frágua
envolvente: os indícios
(Abro
tuas coxas ungidas, ressudantes; escanceadas de luz) Ouço
em teus ásperos barros, a tua borda: os palpos, os augúrios
— siglas imersas; blastos—. Em teus átrios:
as trilhas vítreas, as libações (glebas fecundas),
os fervedouros.




Coral Bracho

2 comentários:

  1. Dani...

    Teu blog é belíssimo!

    Encantei me com todas as poesias e imagens que casam perfeitamente aqui.

    Tentei seguir te mas deu erro, no entanto voltareis muitas outras vezes...

    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Poétique, brûlant et sensuel, ce texte répond parfaitement à cette création photo.

    Roger

    Merci pour ton passage sur mon blog. Je découvre le tiens aujourd'hui sous un autre angle.

    Roger

    ResponderExcluir