quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O animal da floresta

(Imagem: Robert and Shana ParkeHarrison)





De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.



 
Thiago de Mello

3 comentários:

  1. Muito, mas muito lindo mesmo isso! Beijo!

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  2. Eis o que um poeta da estatura de Thiago pode sentir - e dizer.

    Uma maravilha!

    beijos da El

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  3. posso responder de cátedra:
    sim, madeira dói.

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