quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Nada disfarça o apuro do amor

(Imagem: Duane Michals)





Nada disfarça o apuro do amor.
Um carro em ré. Memória da água em movimento. Beijo.
Gosto particular da tua boca. Último trem subindo ao céu.
Aguço o ouvido.
Os aparelhos que só fazem som ocupam o lugar clandestino da felicidade.
Preciso me atar ao velame com as próprias mãos.
Sirgar.
Daqui ao fundo do horto florestal ouço coisas que nunca ouvi,
pássaros que gemem.




Ana Cristina Cesar

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