quarta-feira, 5 de outubro de 2011

(Imagem: Anka Zhuravleva)





Desde que voltei tenho sobressaltos
ao ouvir tua voz ao telefone.
Incertas. Às vezes me despeço com brutalidade.
Chego a parecer ingrata.
Não, Pedro, não quero mais brincar de puta.
Imagino outra coisa; que cochilo, e Luz me cobre
com seu peso-pluma. Consulto o boy da casa
sobre a hora e o minuto do próximo traslado.
Circulo sob o lustre do saguão. Espera ardente,
transístor, polaróide, passaporte verde, o céu
azul. Deixo as chaves do 1114 soltas no balcão.
Desço para o parque. Pego a China em ondas
curtas, pego o pó com medo, bato o filme até o fim
procurando desde a hora em que ela pôs os pés no sul.
Ou não era suicídio sobre a relva.
Eram brincos caídos
e um anel de jade que selasse numa dura castidade
minha fúria de batalha
que viaja e volta.
Desperto e vejo quatro estrelas
pela escotilha do comando.
Quase encosto no peito do piloto.




Ana Cristina Cesar

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