quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fotografia de Marcelo Lyrio/ @marcelo_lyrio



sabíamos de um vaso de flor
que ficava entre grades
e que voltávamos sempre a brincar perto dele
em uma madrugada acordamos
e resolvemos salvá-lo
sabíamos também que não seria fácil
as grades extensas
acolhendo o vaso de flor
e as pétalas sobressaindo os arremedos do arame
mas conseguimos tirá-lo de lá
perto de um temporal que se aproximava
resolvemos guardá-lo atrás da porta da despensa
na casinha do quintal
para que ninguém o visse
dormimos felizes
pois havíamos naquela noite
dado provas de nossa bondade à flor
que depois de todo nosso esforço já não parecia tão bela quanto antes,
infiltrada naquele canto rude
quando acordamos
pensamos logo em ir vê-la
depois de tanto tempo, poderíamos vê-la
era uma florzinha amarela, pequena
suas folhas sobrepostas a escondiam
uma tristeza súbita nos envolveu
era como se  a flor chorasse
viva naquele canto da porta
nos voltamos sem sol para o quintal
e nos sentamos debaixo da laranjeira
outras flores estavam ali
e caíam como se o outono já tivesse chegado

 


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