terça-feira, 16 de agosto de 2011

‎"Por ti no pasa nunca el tiempo"



A janela foi um reflexo do que havia em um quarto de hotel, na praça central, onde brilhavam as folhas de uma árvore que sabíamos a todo instante que existia, mas não olhávamos para ela. E os vidros embaçados de poeira também existiam, mas não prendiam o nosso olhar. Em todos os momentos nos olhamos e guardamos a fundo o que víamos, e o que víamos estava a brilhar muito mais do que as folhas, porém se empoeirou com o tempo, como as fotografias guardadas. E esta ficou, como se guarda um amor que passou, ou um caminho sem rumo em um dia imenso. Ficamos guardados nessa fotografia, inevitavelmente cheios de pó, mas rútilos em segredo, na companhia do tempo, como um flash contínuo em síntese com o horizonte.

2 comentários:

  1. Profundamente lindo, como "um caminho sem rumo em um dia imenso"

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  2. Linda poesia em prosa com uma foto ótima (penso no contraste entre a nitidez e o embaçado pela e na janela).

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