domingo, 31 de julho de 2011

''O pássaro verde poi...sou no ramo e assobiou para dentro''


Porque tudo crescera, se modificaram os olhos. Mais tarde, junto à casa, para romper a solidão, atrever-se-iam os cardos. O tempo fora barulho e noz, noz de lanho frio sobre o muro ocre, ombro para a noite e mais nada. Pelo que nunca foi capaz de imaginar, a infância é hoje uma carga, fardo de cristais estilhaçados, onde tudo ainda sem puder mover-se – vozes que da serradura do chão se desfazem em céu até serem ramos brancos de silêncio.
Falou-se da viagem pela casa, desse equilíbrio estéril, e de tudo o que, ruído vivo, é já cadáver. Veio acima a lenda que explica a manhã e o fim da chuva, e a crença de como, um dia, haverá de compreender-se esse homem que há muitos anos rodeou o muro para cair, ali, num ovo de cansaço. Não se falou, porém, da sua morte, nem das desgraças que (por isso?) se lhe foram sucedendo.
Longo foi o silêncio de incêndios e presságios.
Alguém disse, depois, ter entendido a casa, os seus escuros corredores que se transformavam, apertando o ar que, doente, não brincava na janela.




JOAQUIM PESSOA, in FLY,[ Litexa Ed. (1983; 2.ª ed. 1985)]

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