segunda-feira, 6 de junho de 2011

: depois desse diamante -
fogo que funde bruto
depois dessas colheres de veludo despejadas na boca
desmedidamente aberta da criança
depois da lua em luto
do cheiro misturado com restos de comida
óleo fumo espesso
depois dessa batalha azul que varre a tarde -
um dos seus olhos perdido a contemplar um pássaro -
venha a preciosa aurora e cubra enfim da espuma
de uma luz atordoada o que resta do dia
e venha uma voz úmida que cante sem motivo
e sobre ela se faça inesperado o dizer dos que chegam
e onde um corpo repouse um outro o vá enfrentar
e sobre ele se rasgue
sobre ele se funda em autêntico líquido
até que no outro corpo já não haja resto de descanso.


(Bernardo Pinto de Almeida)

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