terça-feira, 31 de maio de 2011

(Roberto Matta - My Infinite is the Instant)


D.:
eu não sei o que dizer quando começamos com esse assunto de amor, me paralisa
O.:
eu não sei como continuar depois que digo que te amo
D.:
eu também te amo, e é um sentimento tão íntimo e vivo que me transborda, como eu já disse, me paralisa
nem parece que estamos a essa distância toda
O.:
se você soubesse o que sinto quando leio isso...
não mesmo
já te disse, eu te sinto mais próxima do que qualquer pessoa do meu convívio diário
D.:
eu queria ter coragem pra te ligar, te escrever mais.... ir aí te ver, mas tenho medo de ser inconveniente, ou que tudo isso simplesmente se perca
O.:
também tenho o mesmo medo
mas isso vai acontecer um dia
e eu não sei como vai ser
antes, durante ou depois
D.:
aqui nós vivemos eternamente apaixonados. queria que fosse assim...
O.:
é o tal amor perfeito
D.:
sim, mistificações...
O.:
que só você sabe personificar...
D.:
é porque você tem uma sensibilidade absurda pra me entender
eu sou muito triste e desordenada dentro de mim mesma
O.:
incrível como forças alheias ao meu entendimento -e à qualquer sensibilidade que eu eventualmente tenha- nos conduziram ao conhecimento de nossas existências, e nos apresentaram assim, eu adolescente babaca, você transbordando no princípio da maturidade, e essa mistura do seco e frio e quente 
às vezes tenho só vontade de te fazer elogios simples, aos seus olhos, seu sorriso, suas mãos, sua erudição, seu corpo, sua sensatez, mas fica aquele constante atropelamento de intenções; um lado meu quer te devorar, e o outro te guardar incólume
D.:
faça os dois, ainda temos tempo para isso.
o tempo que passou tão rápido e feroz e nos deixou aqui, com esse sentimento intacto.
às vezes a minha coragem é maior que o meu medo. é um fechar de olhos e eu me imagino no amanhã, e nada me fere. 
O.:
sentimento
puro
escárnio
do tempo
D.:
o tempo que devora sem refúgio...
O.:
você não existe; é só um eu na forma mais pura.
D.:
eu andei pensando no tempo, e como as coisas são selvagens no tempo, instinto de sobrevivência.
mas eu queria ser tantas coisas, coisas difíceis de ser.
essas coisas que o tempo dilui
O.:
que o tempo confronta e muitas vezes vence
D.:
acho que ele sempre vence. "tempo" é uma palavra doce para o que ele realmente é. mas pensamos no tempo e esquecemos do que somos diante dele, dúvidas crescentes, acoplados de idéias egoístas, medos exacerbados de vivências simples, amor dúvida medo, o tempo é só o miolo disso tudo.
O.:
eu daria um pedaço de mim pra te ouvir falar isso, olhando nos meus olhos
D.:
eu daria um pedaço de mim pra poder te olhar nos olhos
O.:
e o mais gostoso é esse papel em branco
que eu não faço a menor ideia com o que se preencheria
D.:
nós já o preenchemos, é a continuidade do que sentimos, das nossas palavras. há sempre um papel em branco para nossas palavras que virão.
O.:
e é o que me acolhe
D.:
e alimenta





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